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Menina Prodígio

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Texto originalmente publicado em 2009 no blog Gonzada

Isadora tem cinco anos, pele de bebê e cabeça de adulto. Isadora joga UNO em espanhol, faz balé e dá ‘mortal’, anda a cavalo e tem um ‘namorado’. Isadora assiste o Discovery Channel, e não o Kids, explicou ‘Good Bye, Lenin’, sem legenda, para a mãe e atuou em um filme de terror.

Isadora tem amigas internacionais, como a Marcela, sobrinha espanhola do falecido Michael Jackson (!). Isadora já viu tubarões no mar da Tunísia, e sabe onde as bruxas moram. Isadora não tem medo de cobra, nem de sapo, nem de bicho papão. Isadora só chora se alguém se machuca, se um animal morre, ou se ela assiste um filme triste.

Isadora tem uma risada gostosa, sabe o valor das palavras, assim como fala o plural perfeito, e faz discursos sobre tudo. Sobre como caldo de cana é bom, sobre como tantas pessoas passam fome, sobre como nós envelhecemos, sobre como ela sabe de tudo.

Isadora tem cinco anos, é prodígio, evidente. Isadora é sábia, e não sei quanto, é linda, e eu sei quanto, é um amor, um grande amor. O melhor da Isadora é que ela não é como os outros prodígios. Ela tem uma inteligência fora do comum, isso é fato, mas tem uma alma generosa, um coração que bate mais que o de qualquer humano, uma integridade que não é reservada aos pequenos.

Isadora não vai ser como uma Maísa, pobre Maísa, nem será como um Macaulay Culkin, pobre Macaulay. Ela vai ser a Isadora Niedzuki, que vai trabalhar na NASA, na Petrobrás, no Tablado, na padaria do meio da quadra, se ela quiser. Mas ela será o que quiser. E essa liberdade à pequena gênia é o que vai torná-la ainda mais especial.

AS MELHORES DA ISADORA:

– Lê, sabe polquê eu falo blinco? Polquê eu não falo o L.

– Acoooorda, Letícia. Não aguento mais cuidar de você.

No café da manhã na casa dela:

– Você quer leite? – Não, Isa, eu não tomo leite. – Você quer café?  – Não, Isa, eu não tomo café. – Você quer Coca? – Não, Isa, é cedo pra Coca.  – Você quer suco? – Não, Isa, a Lê não gosta muito de suco.

Quase sem esperanças ela olha o que mais poderia oferecer. Olha pra uma garrafa de vinho e fala com cinismo:

– Hum, quer isso? Por que disso você gosta, né?

Sobre namoro:

– Eu namorava o *fulano*, mas aí a *fulana* roubou ele de mim. Assim, não é que roubou, ela sabia que eu gostava dele, e começou a gostar dele também. – Nossa, Isa, que triste. – Ah, não muito. Eu pensei: se ela gosta dele, vou deixar ele pra ela. Eu fico com o *ciclano*. – E o ciclano é bonito? – Não muito, mas a vida é assim.

Sobre os filhotes da Bolinha:

– Nasceram quatro. Esses três são machos, vou dar para outras pessoas. Vou ficar com essa menor. – Nossa, Isa, mas essa é muito feinha. – Por isso tenho que ficar com ela, tadinha.

Com uns dois anos, de fraldas, quando desligou meu computador no meio de um trabalho de psicologia:

– Isadora, eu não acredito que você fez isso. Quantas vezes tenho que falar que criança não pode ficar perto de computador? -Ah, mas adulto só fala cliança não pode cotador, que cotador não é de cliança, mas a cliança quer blincar e quer blincar cotador. – Não dê de dedo em mim, Isadora. Não erga o tom da voz. – Eu não sei o que você tá falando, mas cliança quer blincar em cotador, e cotador é de cliança. (dando de dedo e gesticulando).

Eu te amo, Isadora, pra posteridade.

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