Arrepios

Arrepios, suspiros, verdades…

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Lembranças.

Foi uma escolha complexa. O filme me atraía, mas o preconceito é uma coisa que acaba com as pessoas. Era o Rob Pattinson lá – muso da saga Crepúsculo – e não consegui esperar muito. Terminei de assistir Remember me (título original) e estou triste como dia de calor sem praia. Me surpreendeu porque eu esperava algo muito ruim. Mas foi médio-bom. Por mais prevísivel que o roteiro pareça e por favorecer muito a imagem do namorado da Kristen Stewart (se não estiverem mais juntos, minhas desculpas), tem bons coadjuvantes e algumas surpresinhas. Acho até meio complicado criticá-lo com narrações da história ou de cenas, com medo de deixar você esperando alguma coisa do filme. Melhor nunca esperar, acredite.

O básicão do filme que preenche buracos com música: Tyler (Edward Cullen/Rob Pattinson) perdeu o irmão mais velho, que cometeu suícidio, e vive em um dilema interior sobre o que fazer da vida e com a relação conturbada que tem com o pai (Pierce Brosnan). Em contrapartida, nutre grande amor e amizade pela irmã caçula, a talentosa Caroline (Ruby Jerins). Tyler acaba sendo preso por um policial temperamental (Chris Cooper nasceu pra bater), pai de Ally (Emilie de Ravin), que perdeu a mãe com 11 anos de idade. Unidos, de certa forma, por duas grandes perdas, os dois vivem uma história de amor, que acaba ficando em segundo plano, numa história que não aborda algo muito específico, mas que está lá. Ou não.

O final foi bem surpreendente pra mim, mas não sei até que ponto isso está relacionado com o fato de que não li nenhuma sinopse ou crítica antes de assistir.  Com certeza não esperava nada do terror das menininhas que, obrigada,  não estava branco como de costume. Senti um pouco mais de maturidade na interpretação; mesmo não sendo digna de um Oscar, também não vale um Framboesa.

C'mon, babe, light my fire!

É uma gracinha o rapaz, admito. Mas nem pinta no pescoço ele tem…Mantendo a mínima decência e um pouco da seriedade,  taí o trailer da parada:

A fita branca.

Antes de mais nada, agradeço a @casadecultura pela oportunidade de assistir ao filme. Antes de tudo, um aviso: se você quiser se surpreender, sentir, pensar e (des)entender conceitos, vá ao Cine Com-tour assistir a esse filme de Haneke. O diretor é ousado, sempre dá o que falar e levou O Globo de Ouro e a Palma de Ouro (Cannes em 2009), com certo merecimento.

Ao sair do cinema, a primeira impressão é de: nossa, não entendi tudo, não gostei, argh, cenas fortes, vamos absorver. E o melhor é que você continua com todas essas sensações por horas. Sendo assim, bom filme. Além da incrível fotografia e dos planos-sequência brilhantes (que já valeriam um prêmio) tem ótimas interpretações, de atores em personagens que não se sobrepõem uns aos outros, mas se complementam para contar uma história de ódio, possivelmente relacionada a um prelúdio do nazismo.

A história de uma aldeia, na Alemanha pré- Guerra, onde alguns incidentes estranhos e chocantes começam a ocorrer, apresenta, em preto e branco, personagens fortes como um barão dono das terras, com empregados submissos, um médico autoritário relacionado com a parteira, que tem um filho com problemas mentais, um pastor protestante rigoroso, o professor-narrador que é tímido e muitas crianças cheias de tédio e repreensão.

As crianças dominam o filme e vão definindo o rumo (e não o contexto) da história. A maneira como eram punidas por atos que, muitas vezes, não eram ruins, transformou os adultos em seres “cruéis”. Porém, com o desenrolar dos fatos, as crianças começam a apresentar atitudes, senão parecidas, muito próximas à crueldade dos mais velhos, e elas acabam por ocupar o posto de vilãs, como todos os que habitam o local.

Todos esses personagens divindo a cena o tempo todo formam uma espécie de grupo do mal, ao meu ver, e daí todas as comparações do filme de Haneke às raízes dessa geração que antecipou o nazismo. Sob esse ponto de vista, essas pessoas representariam o tipo de gente que faria coisas como apoiar um Holocausto, por exemplo. A fita branca utilizada no filme como punição às crianças, representa a pureza e remissão dos pecados, e pode ser encarada como uma referência às estrelas que os judeus carregavam consigo.

No fundo, a sensação que prevalece é a de que estamos de frente para o mal sobre o mal. Ódio sobre ódio. Vinganças sobre vinganças e fica tudo meio sinistro. Eu poderia me alongar e apontar cenas marcantes, bons diálogos e tentar definir uma real explicação para o final do filme. Mas não vou, não posso estragá-lo com considerações banais – pelo menos não até que você o assista. Para pensar, gostar ou odiar, absorver esse filme que faz de tudo com você, mas não te deixa abandoná-lo.

O filme fica em exibição no Cine Com-Tour até 03 de junho, com sessões diárias às 20h30, e sessões extras aos sábados, domingos e feriados às 16h.

Tudo pode dar certo.

Estava com saudade de bons diálogos. Aí aproveitei uma ressaquinha – das boas – pra assistir Tudo pode dar certo (Whatever works) do meu querido amigo Woddy Allen. Explico nossa amizade com facilidade: ele faz filmes para mim e os assisto para ele. Muitas vezes imagino a existência de uma sintonia implacável entre nossas mentes – mas ele é genial e eu sou uma mortalzinha em combate. É quase como a história desse último presente que ele me deu. O Boris (Allen vestido de Larry David) é um “gênio” que se casa com uma loirinha sem graça, beirando a completa ignorância. Sim, o Woody foi louco e feliz ao colocar o cara que criou o Seinfeld e do Segura a Onda para nos impressionar.

Sei que muita gente odeia o meu querido, mas tenho a sensação de que vão gostar desse filme. É leve, divertido (mais fácil para quem já é acostumado ao estilo Woody de ser), tem uma Evan Rachel Wood que te anima com a falta de QI e o modo como encara a vida (eu diria que ela mandou bem como a mocinha do filme) e uma Patricia Clarkson igualmente boa, como a mãe que era caipira e religiosa e termina expondo pornografia em fotos – tem uma surpresa sobre a personagem que não vou contar, mas que me fez rir demais. E aquelas conversas cheias de referências, pessimistas e eloquentes que a gente tanto gosta (ou não, claro).

O Boris interage com o público – claro que o Woody ia querer falar diretamente comigo – e essa é uma das sacadas do filme. O personagem é um virginiano dos piores, sem dúvidas, porque além de ser hipocondríaco, lava as mãos cantando “Parabéns pra você” como forma de expulsar os germes. Viu como é divertido? Vou fazer campanha para os que gostam e os que odeiam assistam esse filme. Sei lá, talvez eu descubra se os filmes dele são tão bons mesmo ou se sou influenciada pelo nosso belíssimo relacionamento à distância.

Ps: a legenda desse trailer está uma eca.

Abraços partidos.

Dificilmente vou assistir um filme inteiro dele sem me apaixonar, perdidamente, por uma única tomada. As cores? Sim, pode ser. Mas sou louca pela composição e encenação de Almodóvar. Elas deixam qualquer película linda de doer. Talvez se tirássemos os sons ou o contexto de Abraços partidos, eu poderia dizer que gostei do filme. Mas, é triste: não gostei.

Demorei pra assistir – a falta de tempo para o cinema me torna quase uma velha turrona – e terminei com a sensação de que não perdi muita coisa. O filme tem lá aquele ângulo masculino, do diretor que sempre se dedica às mulheres, mas tem também uns takes completamente inexplicáveis, fora do rumo da história, enquanto outros poderiam estar numa novela mexicana, sendo narrados pela equipe do Hermes e Renato. (- Quero um quarto e duas putas!) Não gostei mesmo.

Penélope, ó, Penélope. Sou fã dessa mulher. Ela salvou minha atenção. Se não estivesse no elenco com aqueles olhos chorosos, o dramalhão teria feito com que o The dark knight passando na tv fosse mais atrativo – perdi de assistir mais uma vez um filme com um roteiro cheio de peito e culhões). Penélope está linda, como sempre, e é Lena, amante de um figurão, que quer ser atriz e acaba se envolvendo com o diretor do filme dentro do filme, Mateo Blanco (Lluís Homar), que em determinado momento passa a narrar, cego, o que aconteceu anos atrás.

Não posso ser pretensiosa a tal ponto (ou posso, enquanto “cinéfila” aspirante a roteirista), mas uma das grandes falhas do filme é o roteiro. Não foi bem amarrado, misturou de forma forçada a ficção dentro da ficção e não correspondeu a nenhuma expectativa. Até existe uma vontadezinha de ver onde tudo vai acabar ou de tentar entender cenas que ficaram soltas, mas é só. Claro que um diretor do calibre 16 do Almodóvar deveria ter pensado nisso e cancelado vários planos-sequência que foram “ao ar”. Mas foi ele mesmo quem escreveu…

Em um mundo perfeito, nossos ídolos jamais errariam e aí não teríamos dificuldade alguma em avacalhar com eles, pois não seria necessário. Quero que o próximo de Almodóvar me traga a sensação de: gente, como alguém pensou nisso! que outros tantos dele me trouxeram. As cores vão ser sempre lindas, mas o enredo. Pfff, que medo!

Reflections of a Skyline.

No frio rasgo umas normas de auto-preservação sentimental e me deleito com coisas ditas “românticas”. Isso não é regra, mas se aplica em alguns momentos. Reflections of a skyline está há certo tempo martelando minha consciência. O curta foi dirigido por Michael Tamman e Richard Jakes, gravado num telhado em Londres, durante um dia.  Os atores donos dos belos sotaques britâncos são Christopher Dunlop e Fiona Pearce.

Por que uma coisa assim tem mexido comigo? Boa pergunta. Acho que falar de amor é bem mais fácil do que vivê-lo, senti-lo, esquecê-lo. O lance é que são duas pessoas completamente apaixonadas, que não estão juntas, nem vão ficar. Contingências negativas da vida. Pode ser orgulho para superar o mal entendido, a morte, outras pessoas, o vazio da incerteza, o medo de amar. É vida pura, minha gente.

Agradeço a @desimolina, que me disse: vê meu RT do tweet do @eduardoarj. Realmente, uma das coisas mais bonitas que vi nos últimos dias.

Direito de amar.

O cine Com-Tour é muito mais do que as pequenas luzes coloridas das paredes, aquele clima local-pequeno-me-sinto-maior e Beatles de trilha de espera. Ele, além de ter a tela necessária para a exibição, traz uns filmes tão maravilhosos (o que não é regra, como tudo na vida) que dá vontade de acampar ali. Suspiros.

Vamos aos fatos. Pra quem ainda não teve o privilégio de conferir, “Direito de amar” (A single man) fica em cartaz até quinta-feira e é sobre ele que quero falar. Acho que o espanto de ver o nome de Tom Ford nos créditos – aquele estilista famoso mesmo – pode não ser apenas coisa minha. Mas não fica difícil se entregar ao filme quando o Colin Firth surge, triste e complexo, como um bom e velho ser humano. A fotografia ajuda muito e artisticamente o filme é sensível, intenso, mescla cores com emoções. Coisas que o fazem valer a pena.

Realmente, o figurino é perfeito, as maquiagens e penteados acionam a nostalgia inexistente daquele tempo que não vivemos, e achei interessante que em momento algum o lado “fashionista” presente no filme roubou a cena. Achei tudo incorporado com naturalidade, salvo o cartaz gigante de Psicose no fundo de uma cena. A simplicidade elegante é mais um ponto positivo pro Ford e sua equipe.

A história é do George (Colin Firth), professor de inglês, que perde o companheiro Jim (Matthew Goode). Homossexual, isso. Ele é amigo de Charley (Juliane Moore) e decide que não dá mais pra ficar na Terra. O filme mostra, entre lembranças e sensações, o que viria a ser seu último dia no planeta água. Nisso, o ex-grande garoto, atual aluno indeciso Kenny (Nicholas Hoult), entra no jogo e não vou dizer mais nada.

Apenas que Juliane Moore, fã, rouba as cenas em que aparece e empresta um pouco de carisma ao personagem principal: nos faz gostar do George. Sem falar em sua resolução de ano-novo, personagem pré-sessentista e alcoolizada que é: “Beber mais, fumar mais e fazer muito mais sexo”. Gosto de personagens assim, que nos fazem invejá-los em um segundo e depois se mostram tão simples, inseguros e parecidos conosco, que não temos saída: passamos a gostar de nós mesmos.

Se esses últimos parágrafos ficaram confusos, é porque fiz um spoiler mal feito, de propósito, para não estragar suas impressões do filme quando for assisti-lo. Aliás, vai um conselho: jogue todas as sinopses no lixo. Antes, vá ao Com-Tour se emocionar, claro.

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