Arrepios

Arrepios, suspiros, verdades…

Arquivo para o mês “março, 2013”

28ª Madrugada

De tudo, ao final do dia, uma ou outra certeza pode ser definida como real. No mundo dos achismos e das evidências, saber que uma coisa é certa como o sol cair para chegar a escuridão, é fato consolador. Basta reparar: todos os dias é possível receber dos céus pelo menos uma certeza. Acho.

Uma certeza diária e aleatória é a de que as pessoas podem ser muito mais imprevisíveis do que você imagina. Nunca, e digo isso no palpite mais certeiro do espaço, você vai deixar de se surpreender com os limites do pensamento do ser humano. Para ilustrar essa verdade, brindo à madrugada com aquele tipo de descoberta terrível – e digo terrível para aquele que tem dormido sossegado na rede, sem saber o que a cabeça alheia maquina – o amor inventado.

Recebi um bilhete que informava um desses casos de fantasia exacerbada. O rapaz, desses que bradam aos sete ventos os seus diferenciais enquanto másculo no mundo, tinha uma queda maluca pela destinatária. Eu sempre me assusto com esse tipo de questão, pois me acostumei a deixar sempre claro meus sentimentos em relações pessoais.

Batata: era um amor inventado.

Não bastasse fantasiar o que o platonismo traz “– eu largo a minha para ficar com você, que vai largar o seu e andar comigo num carrossel azul turquesa com luzinhas douradas piscando”, ainda imaginou a reciprocidade, o outro lado da coisa. Como se educação fosse uma forma de demonstrar interesse e recusas específicas um jeito de mostrar sinais. Poupe minhas pálpebras insones, rapaz.

Histórias assim, descobertas em bilhetes amassados e sem sal, fazem com que a gente se mantenha alerta. Amores inventados são legais quando não envolvem pessoas que já estão envolvidas realmente com outras pessoas, que não querem cair em uma teia de invenção sem limites. Invenções podem machucar. Apesar de ser apaixonada pela espécie humana, tenho pavor de algumas atitudes desencadeadas por meus semelhantes. Podia ter vivido uma vida na rede, tranquila e sossegada, sem ter aberto este bilhete de insanidade. Bilhete que rasguei na mesma velocidade em que li. Não vale a pena guardar. De louca já basta a sonâmbula que grita – grito? – quase todas as noites. De loucura já basta a que tenho que enfrentar em corredores encerados todos os dias.

– Acorde, pequeno machista.

Depois do susto e da constatação de que não dá pra ter tanta certeza assim quando se trata de gente, fico tentando lembrar de algum amor platônico, alguma fantasia que inventei, um carrossel de alguma cor fria e feliz que criei para romantizar, mas não vejo nada. Nada.

Vejo o hoje, o palpável, o surpreendente. Vejo a sorte. Vejo até mesmo o destino. Vejo os meus sorrisos sinceros. Vejo a realidade.

Cara, nada supera uma realidade bonita.

Uma rede para chamar de minha

Uma rede para chamar de minha

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