Arrepios

Arrepios, suspiros, verdades…

Um domingo qualquer.

Têm dias em que você acorda e sente ausência de vida no corpo. Em dias assim, costumo ter a necessidade de comprovar com sensações que ainda faço parte do planeta, que meu corpo ainda não evaporou em um lugar escuro e frio, que o sangue corre quente, por mais que eu não compreenda o sentido de tudo isso. 

Em dias como esse, caminhar por baixo de um sol escaldante passa a ser parte de um processo, em que a sombra torna-se melhor amiga e o banco sujo de uma praça abandonada – provavelmente, pouco segura – passa a ser o local propício para a tristeza se manifestar. O barro, embaixo da grama gasta, notifica que muitos por ali sentaram, com suas crises, momentos de espera, risos, já que existem mais espaços gastos em volta de outros bancos próximos. A tristeza se manifesta quando você percebe que poderia estar sorrindo, mas as lágrimas caem do rosto, sem que você perceba.

A solidão sempre foi a companhia mais certa pra mim. Mesmo em dias de calor total, em que águas de uma cachoeira bonita ou de uma piscina qualquer seriam as melhores opções, a solidão se apresenta, pronta pra acompanhar. Ela não me deixa na mão, nunca deixou. Acostumar-se com você mesmo é uma dádiva, porque seres humanos são sempre instáveis, incluindo você, e não se pode dizer quando você estará sozinha numa tarde de sol, em um domingo qualquer do calendário que você gostaria que já estivesse fora da história há dias.

A tristeza, no entanto, tem estágios. Ela pode te acompanhar por longos períodos, em dias específicos, ir embora em um minuto, é tão inconstante como nós todos. Da tristeza eu nunca gostei. Não sinto falta, não desejo que ela se expresse em lágrimas incontroláveis, não suporto essa tendência desumana que ela tem de fingir que você está só por não ter opções. Nós sempre temos opções. Estar triste é algo que desgosto, por não saber explicar. Quando uma sopa de motivos para ter um sorriso aberto 24 horas é lançada em cima de você, e só o sabor de choro é sentido pelo paladar.

Do céu vem sempre a percepção e, nesse caso, a de hoje: estou no melhor e no pior momento da minha vida. Contradições não me mordam, eu fico roxa com facilidade. E quando a solidão toma mais conta do que deveria, resta levantar, amarrar o cadarço e voltar, abrir uma folha em branco, conseguir escrever. 

Não me importa o processo, quando o resultado desejado chega a mim. 

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